E quando o show começa eu sei que vou amar momentanemente mais do que todos os que já fui... instantaneamente pelo resto da minha vida... e intensamente com todas as forças. O show só acaba quando as cortinas se fecham. E me lembro que o show continuava. O show só termina quando as cortinas se fecham.
Capital Inicial se despediu muitas vezes, mas sempre voltavam, pois a energia do povo ardia junto com o calor do fogo. E estava foda! Eram 12 mil mãos balançando no mesmo ritmo. Sempre tem um que ama desde a infância. Sempre tem um que fica meio perdido e finge que sabe cantar todas. Sempre tem um que foi só lá tentar pegar uma palheta afim de mostrar para os amigos. Sempre tem um que é fã numero 1. Sempre tem um que vai fica emburrado por ficar de fora do camarim ou não conseguir escorar na grade...
...E sempre tem um que vai ser eu! Que não se contém em apenas assistir. Que grita, chora, e reivindica junto com as letras recitadas em forma de música. Afinal em mim corre todos esses sentimentos de que nada importa além de pegar uma palheta, ou ser (talvez momentaneamente) a fã numero um, e lembrar de que cresceu ouvindo aquele som.. E ainda com um toque de histeria e a vontade de estar lá em cima do palco e perder a garganta no chão, quem sabe, no pé de um guitarrista.
É loucura, independente de ter conseguido entrar no camarim ou não.
Mas pelo menos eu consegui a palheta.
O pós-show é foda! Não existe vóz. Garganta serve apenas pra deglutir o hotdog do tio da esquina. Nessa hora percebe-se: não se vai sozinho à um show. E daquelas 12 mil mãos, podem aparecer umas 10 pra te provar isso aplicando a tática do “SEJA UM S.S.” (super simpático). O papo mais furado de todos sendo digerido junto com a batata-palha, o pão e a salsicha.. Uma hora tudo que é util acaba sendo absorvido graças aos impulsos nervosos ou ao peristaltismo do tubo gastro intestinal. É daí que surgem os mais novos amigos de infância. Contudo as cortinas se fecharam e enfim o fim chegou. Volta pra casa, limpa o que sobrou da maquiagem borrada e coloca a camiseta que acaba de virar pijama. Todo mundo já dormindo, e eu tentando me concentrar. Só consigo mesmo é ficar repassando o repertório, até q o sono se deite do meu lado. As 4 horas dormidas depois de tanta exaustão é pouco. Vejo dos meus dois lados dois seres desmaiados, cansados e sonhando , talvez o mesmo sonho que acaba de me acordar e não me deixa voltar à dormir. Não importa! É muito melhor sonhar acordada, afinal a realidade deve ser lembrada com realidade. Apenas 4 horas se passaram depois que coloquei a cabeça no travesseiro. Penso: “Cadê minhas pernas? Cadê minha voz?”. Mas ainda assim, a vontade é de sair gritando daqui!
Capital Inicial
Natasha
DEZESSETE ANOS E FUGIU DE CASA
ÀS SETE HORAS DA MANHÃ DO DIA ERRADO
LEVOU NAS MALAS UMAS MENTIRAS PRA CONTAR
DEIXOU PRA TRAZ OS PAIS E O NAMORADO

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