
Algum tempo atrás, num lugar não tão distante, um menino morava junto de seu pai e seu avô. Passado uns anos, o pai decidiu mandar o vovôzinho, já muito doente, para um asilo de idosos. Seu filho, apesar da pouca idade percebeu a movimentação estranha, e questionou o porque das malas no quarto ao lado. Espantado com a curiosidade de seu filho, o pai ajoelhou-se de frente a ele para ficar bem próximo, e explicou que o avô já estava velhinho, precisando de cuidados, atenção e que seria melhor para o pobre velho estar junto dos seus. O menino, de ouvidos atentos, compreendeu o que o pai dizia, sem pronunciar uma só palavra. Contudo no final da conversa interrogou sobre o que o vovô precisaria para se mudar para lá, e instantaneamente o pai respondeu-lhe que a única exigência do asilo eram algumas roupas e uma caneca de madeira. Antes que o filho perguntasse mais alguma coisa, levantou e foi terminar de fechar as malas do avô. Separou algumas mudas de roupa e pegou no armário a caneca mais bonita que encontrara . De tardezinha o pai procurou o filho pela casa para que ele se despedisse do velhinho e quando o encontrou, viu que estava agachado na varanda. Perguntou o que ele fazia com um pedaço de madeira e um velho canivete nas mãos e o menino, que esculpia delicadamente e com muita atenção em cada retalhada que dava, respondeu: Comecei fazer sua caneca, papai, para quando o senhor ficar velhinho e eu for leva-lo para morar junto dos seus.
Acredito que a sociedade não desconheça os problemas presentes nesse mundo. Apenas fecham os olhos para se fazerem de cegos. É muito mais fácil assim, certo? Falta caridade, amor ao próximo. Falta estender a mão e ter o mínimo de consideração e respeito por alguém que dedicou a própria vida pela vida alheia. Falta ter consciência de que um dia será nossa vez de contar com o apoio, paciência e carinho de alguém. Dinheiro e bens materiais não passarão desse plano em que vivemos. Alguém um dia me disse que caixão não possui gavetas. Esse alguém estava certo! Da vida, só levaremos nossos bons atos e eles que farão peso na balança final. Pra vida, só deixaremos nossas lembranças e só depende de nós mesmos fazer com que essas lembranças sejam boas. Fica aqui meu grito de indignação e desespero. É meu ódio transformado em palavras.
Vanessa da Matta
Musica
NOSSO SONHO SE PERDEU NO FIO DA VIDA
E EU VOU EMBORA, SEM MAIS FERIDAS, SEM DESPEDIDAS
EU QUERO VER O MAR