Mostrando postagens com marcador infância. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador infância. Mostrar todas as postagens

sábado, 17 de julho de 2010

Pretérito mais-que-perfeito

Olhando fotos antigas, flagrei-me a pensar: Há quem diga “meu passado me condena”; Há também quem diga que nem tenha lembranças de seu passado; Há ainda, simplesmente, quem faz questão de apagar o passado da memória pra não ter que se lembrar das roupas cafonas que usava ou de como era incrivelmente feio aquele aparelho dental que usou na época de colégio. A verdade é que nossa identidade não vem descrita num pedaço de papel registrado com alguns números e posteriormente guardado numa gaveta de arquivos em algum lugar do país. A verdade é que a real identidade é formada com o passar dos anos, modelada pela personalidade e pelo caráter de cada ser, e que depois de certo tempo passa a ser chamada, irônicamente, de passado. Cortes de cabelos, roupas, brincadeiras, músicas, pessoas... Pequenas coisas que quando se juntavam em uma garagem vazia, transformavam a tarde mais entediante em momentos, que depois de anos, viriam a ser lembrados com ternura. Saudade! Se eu fechar os olhos e me concentrar em silêncio por um instante posso até sentir o aroma da infância. Parece até que naquela época as flores eram mais perfumadas e coloridas do que as de hoje em dia – e olha que nem faz tanto tempo assim. Lembro-me das tardes que eu passava em cima da minha casa na árvore, olhando os carros indo e vindo. Ficava imaginando o que se passava na cabeça daquelas pessoas com feições tão pesadas que nem notavam minha presença ali. Eu queria crescer logo, e até hoje não sei o porque que eu pensava dessa maneira, afinal era tão boa a época em que eu vivia pelo simples fato de estar viva. Ao contrario de hoje, que vivo pensando no amanhã, muitas vezes sem tempo de relembrar o ontem. Ainda assim, quando o faço, são apenas alguns flashs que me remetem àquele tempo. Seria interessante se nascêssemos velhos, e fossemos rejuvenescendo ao longo dos anos. Viveríamos intensamente as obrigações e preocupações da chamada vida de gente grande. Aprenderíamos dar valor a cada simples nascer do sol, com o intuito de aproveitar cada segundo do dia que nascera. Ouviríamos com mais atenção o cantar dos pássaros tentando aprender com eles que voar respeitando o céu só tende a aumentar a liberdade de irmos para onde quisermos. Depois de exaustos e com o dever cumprido, teríamos finalmente tempo para desfrutar da nova infância. E assim, no fim de nossas vidas estaríamos conscientes de nosso dever como cidadãos, pela carga de experiência adquirida, porém, vivendo a vida mais leve, como uma criança que acaba de nascer.


O Teatro Mágico
Camarada d'agua
NOSSA ALEGRIA BREVE POR ENQUANTO NOS DEIXOU
CAMARADA, VIVA A VIDA MAIS LEVE
NÃO DEIXE QUE ELA ESCORREGUE E TE CAUSE MAIS DOR