terça-feira, 27 de julho de 2010

Basta!

Outro dia alguém teve o desprezo de gritar aos sete mares o mal que o meu respirar lhe causava. Nesse mesmo dia, e em tantos outros posteriores, custei a acreditar o quão grande seria o ódio e o sentimento de vingança para com o próximo, afinal eu mesma nunca me deixei levar cegamente por tais sentimentos que, aos poucos, vão corroendo a alma. Ao meu modo, mesmo que aleatório ao comum, venho tentando ser honesta e verdadeira desde o inicio. E isso se reflete em minhas palavras e meus gestos ao decorrer dos dias. Mas o velho sábio já dizia: ‘a vingança é um prato que se serve frio’. Estou sentindo o frio congelando meus orgãos um a um, o sangue que circula em meu corpo está se solidificando, de tão gélido em que se encontra. Fui servida e num gesto de respeito e leadade não rejeitei o que foi me posto à mesa. Me alimentei do prato da vingança. De tanto ser tradada como uma boneca, estou me tornando uma. Gelada, plastificada... e sem sentimentos. Cada dia que passa, meu coração propulciona impulsos nervosos mais lentos. Devagar ele bate, assim como minha mente, que atraza cada vez mais meus pensamentos, voltando sempre ao mesmo lugar, no mesmo dia, ouvindo aquela mesma vóz distante como um fantasma se põe a me assombrar. Parabéns à você. Se procurava a minha fraqueza, tu acabas de encontrar! Não me colocarei mais a teste, pois minhas forças se acabaram. Já não sinto mais dor, nem arrepios e já não tenho mais lágrimas. Meus musculos estão se atrofiando dia após dia e a unica vontade que consigo expressar, é a de permanecer deitada em meu leito, esperando alguma mão amiga que possa aquecer um pouco as pontas dos meus dedos. Agora, nem dos fantasmas eu sinto medo – já não os consigo mais ouvi-los. E na escuridão em que me encontro, apenas vejo uma brasa se apagando. No entanto, por ter sido respeitosa e leal, ei de dar meu último suspiro sorrindo, acreditando que essa seria a sua vontade.


Maria Rita e Marcelo Camelo
Santa Chuva
QUEM É VOCÊ PRA ME CHAMAR AQUI SE NADA ACONTECEU? ME DIZ?
FOI SÓ AMOR OU MEDO DE FICAR SOZINHO OUTRA VEZ?
CADÊ AQUELA OUTRA MULHER? VOCÊ ME PARECIA TÃO BEM.
A CHUVA JÁ PASSOU POR AQUI. EU MESMA QUE CUIDEI DE SECAR.
QUEM FOI QUE TE ENSINOU A REZAR?
QUE SANTO VAI BRIGAR POT VOCÊ?
QUE POVO APROVA O QUE VOCÊ FEZ?
DEVOLVE AQUELA MINHA TV QUE EU VOU DE VEZ...

Um comentário:

  1. Todos nós, "homens", nascemos como originais, mas às vezes nos limitamos a ser nada mais que umas cópias iguais. Então, não correspondemos ao chamado pessoal e único que recebemos ao entrar neste mundo: «Sê tu mesmo. Sê como Deus te sonhou desde sempre.
    Cada homem pode oferecer muitas surpresas, agregar pensamentos novos, soluções originais, atuações únicas. É capaz de viver sua própria vida, e de ser fonte de inspiração e apoio para os demais.

    Se uma pessoa não utiliza suas pernas para caminhar, nós a consideramos «estranha» ou provavelmente doente; mas se não usa seu entendimento para pensar, nem sua vontade para decidir, quase não nos damos conta de seu estado perigoso, porque estamos acostumados a não viver à altura de nossas melhores possibilidades; com freqüência, não realizamos a capacidade mais rica e profunda que temos: nossa liberdade.

    Com efeito, ninguém deve converter-se em um «autômato», sem rosto nem originalidade. Às vezes, convém recobrar o olhar da criança, para abrir-nos à própria novidade — e a cada pessoa –, e assim descobrir o desafio que encerra cada situação. O mundo será o que nós fizermos dele. Ao menos nossa vida é o que fazemos dela.
    Ao crescer, o homem descobre paulatinamente que tem um espaço interior, no qual está, de algum modo, à disposição de si mesmo. Ele percebe que, essencialmente, não depende nem dos pais, nem dos professores do colégio; não depende dos meios de comunicação, nem tampouco da opinião pública. Experimenta um espaço no qual está a sós consigo mesmo, onde é livre. Descobre seu mundo interior, sua própria intimidade.
    Quando «estou comigo», facilmente percebo quão desnecessário e inclusive ridículo é o buscar a confirmação e o aplauso dos demais. O valor de uma pessoa não depende dos outros, não depende dos aplausos ou gestos de confirmação que possa receber ou não.

    Somos mais do que vivemos no exterior. Há um espaço em nós ao qual os outros não têm acesso. É nossa «pátria interior», um espaço de silêncio e quietude. Enquanto não o descubramos, viveremos de um modo superficial e confuso, buscando consolo onde não há — no mundo exterior.
    Quer saber o valor de uma pessoa? Imagine perde-la
    (Burggraf)

    Admirador nada secreto

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