Friedrich Nietzche, nascido na Prússia em meados do século XVIII, foi um homem que teve de seu corpo e sua mente um campo de batalha pelo seu espírito considerado errante, pelo estado de saúde desesperadora, e principalmente por ter convencido a si próprio de que importava mais trabalhar para preservar a tradição cultural do que deixar-se levar pelo alvoroço político da modernidade.
Não se habituava à solidão. Ela lhe pesava e talvez lhe fosse indispensável. Dizia que se pudesse dar uma ideia de seu sentimento de solidão, nem entre os vivos e nem entre os mortos havia alguém a quem se sentisse próximo. Mas nos primeiros dias da primavera, após terríveis crises da sua saúde ingrata (talvez uma das mais violentas de sua existência), sentia-se renascer das próprias cinzas. Não suportava a dor, aprendera a ama-la. Descobrira “a fórmula da grandeza do homem”: amor fati. Não evitar nem se comformar e muito menos dissimular, mas afirmar o necessário. Amar o que não pode ser mudado.
